Recado sobre RODA MOINHO que recebi de minha amiga e mestra da vida inteira Ana Schirley Favero
DO MEU CORAÇÃO AO PÉ DO SEU OUVIDO
O livro “RODA MOINHO”, da escritora catarinense, Eloí Elisabete Bocheco,
narra sobre a vida dos habitantes de uma pequena cidade. O velho moinho
é a referência para contar sobre o presente ligado ao passado.
A autora enfatiza o valor da amizade e a descoberta do amor nessa
história maravilhosa.
Leiam esse livro que é um PRIMOR de narrativa. Eu o classifico como
memória dos sentimentos da alma. Leiam e descubram o porquê de certas frases do
“eu lírico” da autora.
Eis algumas citações que dizem grandes verdades da vida:
“ – Você não diz que quem é sofrido, fica com mais idade por dentro do
que por fora?”
“ _ O primeiro livro que escrevi foi HISTÓRIAS para descrer”.
_ “ Descrer do quê? “
_ “ Em mentiras que são criadas à força de repetição, durante muito
tempo, às vezes, durante séculos. Tipo, acreditar que é preciso seguir a
ditadura da moda, que tem que ter corpo com tais e tais medidas para ser feliz,
ou então, acreditar que uma pessoa cega tá perdida pra vida, pro mundo; que um
paraplégico não pode tomar conta de nada, que lugar de doente mental é
confinado em manicômio; que alguém é pobre porque é vontade do céu, e outras
bobagens marteladas nas cabeças”.
E, para encerrar o meu recado ao pé do seu ouvido, vão:
_” Certas palavras são como o joio no meio do trigo ou a erva daninha no
meio das flores. Querem crescer a todo custo e sufocar todo o canteiro.
Palavras como: ditadura, violência, injustiça, arrogância, corrupção,
prepotência e outras da mesma extirpe. Há também as palavras inevitáveis, essas
podem nascer em todos os canteiros e ninguém pode muita coisa contra elas.
Tipo: Morte, saudade, solidão...”
Leiam o livro “ RODA MOINHO” . Essa obra é um PRIMOR!
“ Palavras encantadoras da escritora: “ Os moinhos são os ancestrais
ilustres do lugar”.
Para vocês, leitores e leitoras, o porquê das citações que fiz, só lendo
o livro “RODA MOINHO”. UM PRIMOR!!! ***
Mensagem da Professora Dra. Sueli de Souza Cagneti a partir de sua releitura do livro Casa de Consertos ( Melhoramentos, 2012)
Trecho da obra Casa de Cosnertos:
Capítulo I
A minha vó é
tipo vó de todo o bairro. Poucos a chamam
de dona Sofia. Mais que a chamam é de vó. Não gosto muito desse negócio
de chamar de vó uma vó que é minha.
Ela se aposentou da profissão de enfermeira e abriu uma oficina de
consertos de brinquedos. A oficina fica junto com a casa de moradia, na sala da
frente, onde ficam também os livros que eram do meu bisavô.
A casa é a mais antiga da rua. É parecida com um casarão que vi num livro
de histórias quando eu estudava na primeira série. O casarão era de uma bruxa
sinistra e eu fiquei triste por ver que a casa da minha vó era parecida com
casarão de bruxa. Aí a minha mãe disse que vó Sofia era bruxa também, mas
daquelas que só fazem feitiços para a vida brilhar.
O casarão é cheio de lugares maneiros, tipo esconderijos. E tem o sótão,
de onde dá pra ver toda a cidade, mais o mar, as duas pontes e o bairro de
Coqueiros.
Junto com o casarão fica a marcenaria do
meu tio. Ele e o meu pai trabalharam juntos durante muitos anos. Depois
o meu pai casou com a minha mãe e foi
embora pra outra cidade, mas continuou trabalhando de marceneiro.
Para chegar na marcenaria basta passar uma porta e um corredorzinho. A
porta fica sempre fechada para não entrar pó-de-serra e também por causa do
barulho das máquinas.
Sempre eu passo as férias no casarão. Fico mais na casa de Consertos:
atendo telefone, sento num banquinho pra ver vó Sofia trabalhar, ou senão para
ouvir as histórias que ela conta, ou para conversar.
_ Vó Sofia, você queria ser um passarinho ou um jacaré?
_ Ah, um jacaré que não lava o pé.
_ Sério: se você não fosse você, o que gostaria de ser?
_ Acho que escolheria ser um tatu.
_ Tatu?
É. Tatus são engraçados, têm a carapaça dura e moram em tocas.
_ Também acho os tatus engraçados, mas qual é a vantagem de morar em tocas?
_ Ficam protegidos nas tempestades.
_ Isso é. Eu queria ser um bicho do ar, tipo andorinha, bem-te-vi,
canário...
_ Você aí me
perguntando que bicho eu queria ser, Olímpia, e eu aqui virada num caranguejo
ou numa tartaruga!
Ela fala isso por causa das pernas
dela que não andam mais direito. Ela se apóia numa cadeira de palha e vai
empurrando a cadeira pro tanque, pra cozinha, pra varanda, pro quintal, pro
jardim, pra Casa de Consertos, onde senta, esquece as pernas de caranguejo e
trabalha no conserto dos brinquedos. Faz milagres pra emendar o que tá
quebrado. Parece que os brinquedos nascem de novo das mãos da minha vó.
Vai trabalhando e conversando com os fregueses ou com pessoas que estão
só de passagem pela Casa de Consertos. E nunca deixa de receitar um “remedinho
literário” como ela diz.
Para dona Clarice, que estava se separando do marido e estava na maior
deprê, ela receitou um livro de poemas de Mário Quintana. Para dona Clara, que
estava achando o mundo um caos, ela deu um Manuel Bandeira enorme. A dona Clara
levou quase um ano pra ler todo aquele livrão. Para o Carlos, que sofre de falta de leitura, nunca
leu um livro na vida, ela emprestou um livro do Josué Guimarães. Para dona
Leninha, que sofre de trocas, tipo assim: diz sim quando quer dizer não , e diz
não quando quer dizer sim, ela indicou o livro Solte os Cachorros, da escritora
Adélia Prado. Para o seu Eduardo que
disse que o deserto do Saara tinha se mudado pro coração dele, ela emprestou um
livro da Cecília Meireles. Para cada caso ela receita um autor. Ela sempre dá
um jeito de botar perto dos livros os que vêm à Casa de Consertos. Diz que
livro é como o pão nosso de cada dia para a alma, e que alma vazia não pára em
pé e pode cair nalgum abismo, ou na boca
de algum crocodilo de plantão.
Quando era enfermeira, ela vivia com uma malinha cheia de livros que lia
pros doentes, ou dava na mão deles pra
lerem e se animarem, ou senão pra conhecerem histórias que tinham a ver com a
vida deles. Quando a minha mãe deixava eu ia com vó Sofia ao hospital infantil
e ajudava a ler os livros para as crianças.
BOCHECO, Eloí. Casa de Consertos. São Paulo: Melhoramentos 2012
No mar de páginas, o que mais quer o leitor é encontrar uma história. Uma história com movimento irresistível de ondas e episódios que pouco a pouco o vão puxando para longe do primeiro parágrafo. Bem o efeito desse balanço mágico tem a prosa de Eloí Bocheco que há muito tempo não lia, nem comentava. E agora andei à RUA ÂMBAR (Formato, 2013) com delicadas ilustrações, quadrinhos e vinhetas de Márcia Cardeal. A escritora permite a todos saborear a sua linguagem carregada de amoras, miniaturas e novas moradas, sempre dentro de um projeto literário que se definiu muito antes dos livros caminharem aí afora publicados.
Há mais de quinze anos, Eloí escrevia crônicas investidas de narrativa e capricho poético, no jornal A Notícia, de Santa Catarina. Seus poemas para crianças possuem a voz de acalanto e brinquedos brasileiros. A ficção que sai do seu lápis, ou das letras tamboriladas no teclado do computador (na verdade, eu nunca soube o seu segredo), reafirma sua representação de mundo que é o processo de descoberta e encantamento das personagens com a lembrança de coisas vividas e inventadas, suas feridas felizes, o ritmo cotidiano a manter as boas afeições...
Na Praia do Mariscal, a Rua Âmbar acolhe diferentes visitantes, o leitor e o personagem Miro e outras personagens que saem de velhos contos, aposentos e apólogos. Miro, Valdomiro Silveira, é um menino que mora na rua Ametista e tem uma fábrica de miniaturas escondida debaixo da cama... Em uma caixa, ele guarda as ferramentas. Em outra, as réplicas de panela, chaleira, bule, frigideira, caneca de três asas, objetos e brinquedos feitos de latinhas de alumínio que saem a falar, a confabular sabedorias e dúvidas, filosofias da vida. E saem a correr mundo também. Onde o menino poderia reencontrar seu jarro, o balde e uma panela que sumiram?
Pois na Rua Âmbar tem uma casa: a casa do poço onde morou gente e já não mora mais ninguém. Diziam, assombrada! Miro encontra uma formiga-ruiva à janela, olhando a paisagem à espera de uma prosa. E, nas sombras de um quarto, o menino conhece uma figura que há muito se transforma, como Nereu e lagarta, tipo coisa para viver a vida dos outros, sempre azul e gaivota no futuro. E tem, ou tinha, uma tainha. Então, uma bruxa – que é igual e diferente às outras bruxas que conhecemos, a bruxa da Costa Esmeralda, com o bem e o mal misturados nas entranhas... Ah, as bruxas de Eloí Bocheco viram e reviram seus textos, desde os primeiros! Na poeira do assoalho aberta em ilhas com os passos do menino, os diálogos se iluminam.
— Você acha ruim nascer falando? — Não. Acho normal. Ainda mais no seu caso que, com todo o respeito, tem a boca grande. — É mesmo, eu me acabo em boca. Mas, mudando de assunto, me conte sobre sua vida. — Ah, eu era um pensamento... — Um pensamento?! — Isso mesmo. O Miro estava andando à beira-mar e pensando. Andando e pensando. Aí, um pensamento do Miro caiu no mar e virou concha. Essa concha sou eu.
Outras pessoas igualmente passam pela Rua Âmbar. Como gente de ficção, os veranistas vão e vem, uns voltam, outros não, como ondas, famílias, cotidianos a cada estação. Por exemplo, as três crianças da família Trololó da casa número 109. Este é o pé da história que passeia na realidade, com Isa, Matita e Quim, envolvidos na divisão de tarefas, notícias da televisão e sonhos que buscam o futuro. Mas a vida aí não se limita, imita o pulo do saci, vê rã voando feito borboleta sobre um pé de jasmim.
A prosa de Eloí é cheia de figuras e diálogos, é prosa feita de lenga-lenga na sua estrutura e costura. E acompanhe Miro pedalando a bicicleta pelas ruas em busca de amigos, Miro o menino de água do mar e maré. E tempestade que se arma nos sentimentos. É quando estronda a velha voz de um pescador, como que vinda de longe, anunciando o “encantamento” do pai. Foi o gigante que despertara em seu sonho, dias antes, que afundou o barco em alto-mar, fora ele, apenas ele, a quem podemos chamar pressentimento...
Eloí Elisabet Bocheco está segura dos segredos da vida, a sua verdade pessoal, e a compartilha com poesia: a transformação dos objetos em coisas novas, do carbono que vibra inteligentemente às plantas, da resina aos polímeros longevos do âmbar, da água aos animais, do humano em humanidade. E assim é bonito como o sol se elevando manhãzinha, sempre, mesmo sem a gente ver sua verdadeira cor.
As
Meias da Ema, poema de 1999, do livro A de Amor, A de ABC, que publiquei
pela editora PapaLivro, de Florianópolis. O poema brincante criou uma
rede de inpirações para uma moçada linda, talentosa e generosa.
Gratidão sem fim, queridos Priscila Schaukoski e Bruno Andrade do grupo
CIRANDELA e demais envolvidos nesta rede poética
O EP
CATA-RIMA é um EP digital do Grupo Cirandela lançado em 2014.
Com
direção musical de Luiz Gustavo Zago e Silvio Mansani o EP CATA-RIMA consiste
em dois poemas da autora catarinense Eloí Bocheco musicados pelo grupo e duas
canções inspiradas em histórias da literatura e imaginário infantil.
Com
realização do Grupo Cirandela, o “Registro de Processo Criativo do EP Cata
Rima”, é uma série audiovisual de quatro episódios – um para cada canção do EP.
“As
meias da ema” – Poema da autora catarinense Eloi Bocheco, musicado por Bruno
Andrade e Priscila Schaucoski.
Eloi
Bocheco – Autora de livros infantis, juvenis, poesia infantil, contos e
crônicas.
Esse
projeto foi contemplado pelo Edital #sculturaemsuacasa, sendo seu projeto
piloto realizado com apoio do Edital Cultura Criciúma 2020.
Ficha
Técnica:
Produção:
Grupo Cirandela
Direção
e Roteiro: Priscila Schaucoski
Edição
de vídeo e imagem: Lara Fachin
Captação
de Imagem: Bruno Andrade e Priscila Schaucoski
Captação
de Som: Bruno Andrade
Trilha
Sonora: Bruno Andrade
Compilação
e pesquisa de arquivos: Priscila Schaucoski
Leitura e interações com o livro O PACOTE QUE TAVA NO POTE ( Paulinas, 2007)
Língua Portuguesa - 2° e 3° ano - Professora Alessandra
Muita gratidão à Professora Ana Lucia Maichak de Gois Santos, da equipe de Lingua Portuguesa da Prefeitura Municipal de Curitiba, pela inclusão de meu livro no acervo de leituras das aulas gravadas para o Canal TV Escola Curitiba/PR.
A contadora de histórias Leila Carvalho, lindamente, declama poemas do livro Cantorias de Jardim (Paulinas, 2012) Uma voz poética e mágica que encanta ao semear perfumes e cores nas manhãs, nas tardes, nas noites, de quem se dispuser a ouvir. Muita gratidão Um dos poemas do ramalhete poético:
Musicalização do poema JANEIRO do livro Batata cozida, mingau de cará ) Prêmio Literatura para Todos ( MEC, 2005) PET PEDAGOGIA UFSC Grupo CANTAROLANDO
A Professora e escritora Paula Belmino lê o segundo capítulo do livro Casa de Consertos (Melhoramentos, 2012) Capítulo II
Meu pai foi morar pra lá
das estrelas. Eu tinha recém aprendido a ler e ele tava muito feliz. Ele falava
pra mim que ler era como tomar posse de um mundo novo.
_ Olímpia, leia pra mim
um livro. Quero ver se a tua vó te ensinou a ler direito.
_ E o que é ler direito,
pai?
_ É ler sem tropeçar nas
palavras.
_ Tá. Qual livro você quer
que eu leia?
_ Esse dali: Gato que pulava em sapato. O título é engraçado.
_ Quando termino de ler
ele me aplaude.
_ Agora eu escolho outro
pra ler pra você.
_ Claro, escolha.
_ Peguei Boi da cara preta e li o poema Guaraná com canudinho.
Ele riu um monte e
disse:
_ Quando eu era menino,
não tinha tanto livro infantil como tem hoje. Toda noite você lê um desses
livros pra mim, Olímpia?
_ Você que tem que ler
pra mim, pai!
_ Ah, é? Quem disse que
eu é que tenho que ler pra você?
_ Ora, porque sempre são
os grandes que lêem para os pequenos.
_ Mas, e se os grandes
querem conhecer os livros dos pequenos, não podem?
_ Podem. Eu leio pra
você e depois você lê pra mim , tá bem?
_ Então tá.
Tinha dias que ele tava
preguiçoso pra conversar, aí não queria conversa, nem leitura. Eu chacoalhava
ele e dizia: acorde, pai, que quero ler pra você a história de um bule azul
clarinho que é bem legal.
_ A... manhã, tá? Hoje
trabalhei como um condenado pra dar conta de um pedido de janelas que vai pra
Cuiabá. To moído, filha. Acho que vou dormir aqui mesmo no sofá. Você pode ler,
mas acho que não vou conseguir ouvir nem até a segunda página. Meu olho não
consegue ficar aberto... Leia pra sua
mãe, tá?
_ Hoje ela tem aulas até
as onze horas da noite. Vai chegar louca pra cair numa cama. Vou ler alto pra
mim mesma, então.
_ Tá, filha. Só hoje que
tô acabado.
Ele ficou acabado a
semana toda por causa das janelas que foram pra Cuiabá. Precisavam encomendar
tanta janela?
No sábado, ele tava
mais aliviado:
_ Hoje você pode ler a história da
chaleira azulzinha, tá?
_ Não é chaleira, pai! É bule azul clarinho.
_ Ah, eu tava quase dormindo naquele dia, não ouvi direito. Mas
hoje sou todo ouvidos.
Quando terminei de ler a história, ele disse:
_ Hum! Eu já tinha ouvido falar
de encantador de abelhas, encantador de cobras, mas de encantador de
bules nunca tinha ouvido falar, não. Gostei das quadrinhas que a moça vai
dizendo pra abrir o caminho pra casa do encantador. Como é mesmo aquela que
embola fita e fato, fato e fita?
_ É assim: - preste atenção, que não vou repetir:
Não sei se é fato ou se é fita
Não sei se é fita ou se é fato
Só sei que ele me fita
Me fita mesmo de fato.
_ Outro dia você lê de novo a história do bule azulzinho pra
mim, Olímpia?
_ Só se você não estiver acabado de tanto fazer janelas, ok?
No dia em que ele foi embora pra sempre a gente tomou café juntos,
pela manhã:
_ Olímpia, peça a tua mãe pra te levar na cabeleireira pra
cortar esse cabelo que tá caindo no teu olho.
_ Ih! Ela tá cheia de provas pra corrigir.
_ Então eu te levo amanhã à tarde. Hoje notei que você tá
precisando de um armário no teu quarto.
Tá cheio de coisas suas pelo chão e debaixo da cama.
_ É por falta de ter onde guardar.
_ Vou fazer um armário de duas portas, no capricho, pra você
guardar suas bugigangas.
_ Você coloca puxadores redondos nas portas?
_ Coloco.
_ E faz com pés altos?
_ Faço.
_ Faz as portas cheias de luas?
_ Com luas vai ser mais demorado. Estamos com muitas encomendas.
Liso é mais rápido.
_ Nem que demore, quero as portas com luas. E qual vai ser a
cor?
_ Clarinho. Vou fazer de MDF.
_ O que é isso?
_ São chapas de fibra de
pinus, de fino acabamento e grande resistência.
_ Então tá. Hoje na volta da marcenaria, você me traz
maria-mole?
_ Quantas?
_ Duas. De coco queimado, tá?
_ Tá.
Ele me deu um monte de beijos antes de ir.
Por que não dei mais beijos e abraços nele? Nunca mais eu o abraçaria vivo. A morte veio no meio da tarde e levou-o
embora. Eu queria ter as mãos do rei Midas, não pra transformar tudo em ouro,
mas pra ter acordado meu pai do sono sem fim.