terça-feira, 18 de agosto de 2020

O Pacote que tava no Pote


Narração da história O PACOTE QUE TAVA NO POTE ( Paulinas, 2007)
por Adélia Teresinha de Abreu. Lindo de ouvir e sonhar. Muito grata. 




segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Aula de Língua Portuguesa - Canal TV Escola Curitiba/PR


Leitura e interações com o livro O PACOTE QUE TAVA NO POTE ( Paulinas, 2007)
Língua Portuguesa - 2° e 3° ano - Professora Alessandra
Muita gratidão à Professora Ana Lucia Maichak de Gois Santos, da equipe de Lingua Portuguesa da Prefeitura Municipal de Curitiba, pela inclusão de meu livro no acervo de leituras das aulas gravadas para o Canal TV Escola Curitiba/PR. 






terça-feira, 4 de agosto de 2020

Brincar, rimar, cantar, sonhar....



Apresentação dos poemas do livro Batata cozida, mingau de cará
( MEC, 2006) Prêmio Literatura para Todos
Projeto do PET PEDAGOGIA UFSC - Grupo CANTAROLANDO
Coordenação da Professora Eliane Debus

Neste vídeo, podemos ver todas as interpretações dos poemas. Toadas as cenas reunidas num só lugar. Muito lindo de se ver. Gratidão profunda




sábado, 1 de agosto de 2020

Dente de Leite



DENTE DE LEITE    

Meu primeiro

dente de leite

caiu de dia.

Juntei o dente

e guardei na bacia.

 

O segundo dente

caiu no quintal.

Nasceu uma roseira

no mesmo lugar.

 

O terceiro dente

caiu no rio.

Foge, peixe,

que o dente te viu!

 

O quarto dente

caiu de madrugada

Não o engoli porque

estava acordada.

 

O quinto dente

arranquei com linha

e joguei no telhado

para a andorinha.

 

Meu sexto dente

caiu em dezembro.

Dos outros dentes,

já não me lembro.

 

Tá Pronto seu lobo? E outros poemas ( Formato, 2014) P. 28-29



quinta-feira, 23 de julho de 2020

Lenda da VIOLETA

 

A Professora Vivi Dilkin, de Novo Hamburgo/RS, apresenta o poema VIOLETA, do livro Cantorias de Jardim      


VIOLETA

Num lugar bem distante,
debaixo de um caramanchão,
ouvi esta breve história,
que trago nas linhas da mão:

Um velho profeta,
morador da eternidade,
veio à janela do céu
pentear as longas barbas.

Por artes de um vento forte,
que na hora soprou,
a barba do profeta
céu abaixo despencou.
Caiu dentro de um riacho
que, na terra, encontrou.

As barbas
nadavam no riacho,
feito peixes
Brancas barbas,
aos feixes.

O riacho passava na casa
de uma catadora de sementes
“Nunca vi peixes tão grandes
nadarem na água corrente”,
disse a mulher ao vento.

A catadora colocou
as barbas do profeta
no sol de fevereiro
Pingos brilhantes
caíram no terreiro.

De cada gota que caía
uma flor azulada nascia
Em pouco tempo, um jardim,
no terreiro surgia.

Quando as barbas
do profeta secaram,
o vento as levou embora
A catadora espalhou
as sementes das flores
pelo mundo afora.

Segundo um contador,
que há muito tempo partiu,
que morava numa vila,
à beira de um grande rio,
numa casa de palafitas,
que neste mundo existiu,
foi assim que a violeta surgiu.

Cantorias de Jardim -   Páginas 26-27



terça-feira, 16 de junho de 2020

Flores, poesia, afetos e memória




A contadora de histórias  Leila Carvalho, lindamente,  declama poemas do livro Cantorias de Jardim  (Paulinas, 2012) 
Uma voz poética e mágica que encanta ao semear perfumes e cores nas manhãs, nas tardes, nas noites, de quem se dispuser a ouvir. Muita gratidão


Um dos poemas do ramalhete poético:   


Flor-de-maio
Flor-de-maio no canteiro
Passarinho na janela
O que espera passarinho
para beijar flor tão bela?

Passarinho bateu asas
Flor-de-maio acordou
A pena do passarinho
o vento levou.

Passarinho canta
para a flor-de-maio
Do bico do passarinho
pingam gotas de orvalho.

Passarinho foi-se embora
Flor-de-maio murchou
Volta, volta, passarinho
Peço-lhe, por favor!






domingo, 14 de junho de 2020

Janeiro vai... Janeiro vem...




Musicalização do poema JANEIRO do livro Batata cozida, mingau de cará ) Prêmio Literatura para Todos ( MEC, 2005)

PET PEDAGOGIA UFSC
Grupo CANTAROLANDO

JANEIRO

Janeiro vai
Janeiro vem
Pingente celeste
vou dar ao meu bem

Janeiro ia
Janeiro vinha
Panela no fogo
Pirão de farinha

Janeiro vem
Janeiro vai
O galo canta
e a casa cai

Janeiro sai
Janeiro entra
Num dia chega
e no outro senta.

Janeiro vem
Janeiro passa
Fogo de palha
Nuvem de fumaça.







quinta-feira, 14 de maio de 2020

Leitura de Casa de Consertos (Melhoramentos, 2012)




A Professora e escritora Paula Belmino lê o segundo capítulo do livro Casa de Consertos (Melhoramentos, 2012)

Capítulo II 


Meu pai foi morar pra lá das estrelas. Eu tinha recém aprendido a ler e ele tava muito feliz. Ele falava pra mim que ler era como tomar posse de um mundo novo.
_ Olímpia, leia pra mim um livro. Quero ver se a tua vó te ensinou a ler direito.
_ E o que é ler direito, pai?
_ É ler sem tropeçar nas palavras.
_ Tá. Qual livro você quer que eu leia?
_ Esse dali: Gato que pulava em sapato. O título é engraçado.
_ Quando termino de ler ele me aplaude.
_ Agora eu escolho outro pra ler pra você.
_ Claro, escolha.
_ Peguei Boi da cara preta e li o poema Guaraná com canudinho.
Ele riu um monte e disse:
_ Quando eu era menino, não tinha tanto livro infantil como tem hoje. Toda noite você lê um desses livros pra mim, Olímpia?
_ Você que tem que ler pra mim, pai!
_ Ah, é? Quem disse que eu é que tenho que ler pra você?
_ Ora, porque sempre são os grandes que lêem para os pequenos.
_ Mas, e se os grandes querem conhecer os livros dos pequenos, não podem?
_ Podem. Eu leio pra você e depois você lê pra mim , tá bem?
_ Então tá.
Tinha dias que ele tava preguiçoso pra conversar, aí não queria conversa, nem leitura. Eu chacoalhava ele e dizia: acorde, pai, que quero ler pra você a história de um bule azul clarinho que é bem legal.
_ A... manhã, tá? Hoje trabalhei como um condenado pra dar conta de um pedido de janelas que vai pra Cuiabá. To moído, filha. Acho que vou dormir aqui mesmo no sofá. Você pode ler, mas acho que não vou conseguir ouvir nem até a segunda página. Meu olho não consegue ficar aberto... Leia pra  sua mãe, tá?
_ Hoje ela tem aulas até as onze horas da noite. Vai chegar louca pra cair numa cama. Vou ler alto pra mim mesma, então.
_ Tá, filha. Só hoje que tô acabado.
   Ele ficou acabado a semana toda por causa das janelas que foram pra Cuiabá. Precisavam encomendar tanta janela?
     No sábado, ele tava mais aliviado:

    _ Hoje você pode ler a história da chaleira azulzinha, tá?
_ Não é chaleira, pai! É bule azul clarinho.
_ Ah, eu tava quase dormindo naquele dia, não ouvi direito. Mas hoje sou todo ouvidos.
Quando terminei de ler a história, ele disse:
_ Hum! Eu já tinha ouvido falar  de encantador de abelhas, encantador de cobras, mas de encantador de bules nunca tinha ouvido falar, não. Gostei das quadrinhas que a moça vai dizendo pra abrir o caminho pra casa do encantador. Como é mesmo aquela que embola fita e fato, fato e fita?
_ É assim: - preste atenção, que não vou repetir:     
                                                                           Não sei se é fato ou se é fita
                                                                            Não sei se é fita ou se é fato
Só sei que ele me fita
Me fita mesmo de fato.
_ Outro dia você lê de novo a história do bule azulzinho pra mim, Olímpia?
_ Só se você não estiver acabado de tanto fazer janelas, ok?
No dia em que ele foi embora pra sempre a gente tomou café juntos, pela manhã:
_ Olímpia, peça a tua mãe pra te levar na cabeleireira pra cortar esse cabelo que tá caindo no teu olho.
_ Ih! Ela tá cheia de provas pra corrigir.
_ Então eu te levo amanhã à tarde. Hoje notei que você tá precisando de  um armário no teu quarto. Tá cheio de coisas suas pelo chão e debaixo da cama.
_ É por falta de ter onde guardar.
_ Vou fazer um armário de duas portas, no capricho, pra você guardar suas bugigangas.
_ Você coloca puxadores redondos nas portas?
_ Coloco.
_ E faz com pés altos?
_ Faço.
_ Faz as portas cheias de luas?
_ Com luas vai ser mais demorado. Estamos com muitas encomendas. Liso é mais rápido.
_ Nem que demore, quero as portas com luas. E qual vai ser a cor?
_ Clarinho. Vou fazer de MDF.
_ O que é isso?
 _ São chapas de fibra de pinus, de fino acabamento e grande resistência.
_ Então tá. Hoje na volta da marcenaria, você me traz maria-mole?
_ Quantas?
_ Duas. De coco queimado, tá?
_ Tá.
   Ele me deu um monte de beijos antes de ir. Por que não dei mais beijos e abraços nele? Nunca mais eu o abraçaria  vivo. A morte veio no meio da tarde e levou-o embora. Eu queria ter as mãos do rei Midas, não pra transformar tudo em ouro, mas pra ter acordado meu pai do sono sem fim.








quarta-feira, 13 de maio de 2020

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Ramalhete poético





Cantorias de Jardim enlaça poeticamente um ramalhete de flores através de poemas inspirados na poesia oral do folclore. O narrador poético conversa com as flores (rosa, cravo, lírio, amor-perfeito, margarida, jasmim, miosótis e demais flores do feixe poético), conta seus segredos e magias e, por vezes, chama o leitor para participar da cena poética, ora ofertando-lhe a flor homenageada, ora propondo um jogo de adivinhação, ora advertindo-o para perceber a flor, tal como faziam os cantores peregrinos e singelos de outrora.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Poesia, criança, brincadeira

.



 SAPO-CURURU     ( P. 23)

Sapo-cururu
da beira da lagoa,
Quando o sapo canta
é porque está à toa.

Sapo-cururu
debaixo da cabreúva,
Quando o sapo pisca
é porque vem chuva.

Sapo-cururu
na beira do rio,
Quando o sapo chora
é porque tem frio.

Sapo-cururu
da beira do lajeado,
Quando o sapo dorme
é porque está encantado.





segunda-feira, 17 de setembro de 2018

sábado, 17 de junho de 2017

Novos e velhos ramos, verdes

Resenha de Peter O'Sagae sobre o livro Tá pronto, seu lobo? e outros poemas



O tempo passa depressa, diz um verso de Eloí Elisabet Bocheco – no poema “Uni... Duni... Téia”, publicado em seu primeiro livro de poesia para crianças, com o mesmo título, e que recebi naqueles anos em que me via escondido online com O Caracol do Ouvido. Clique vai, clique vem, na palma da nossa mão, muitas alegrias se desenrolaram. Poucos sabem quanto Eloí foi madrinha das aulas de literatura infantil em minhas andanças no oeste de Santa Catarina, entre 1999 e 2004; poucos sabem da intimidade do nosso primeiro encontro, atravessando doze, quinze horas diretas de conversa admirada à porta da cozinha de sua casa enquanto André cozinhava, Luiz mexia um canto e outro no jardim, na horta, e os filhos iam e voltavam e a gente lá falando livros pelos cotovelos, se encantava.
"O tempo passa depressa...
Só não passa a roda
de bem-querer
e amizade,
brincadeira de
esconde-esconde
com a saudade."
E amizade com Eloí é feita de promessas de continuar um dia, após distância e algum silêncio. Um dia, então, a gente descobre o poema do uni, duni musicado por Priscila Schaucoski e Bruno Andrade, descobre Téia na página de outro livro: TÁ PRONTO, SEU LOBO? com ilustrações de outra amigaluna, a Suryara Bernardi (Formato, 2014). Na dedicatória em letras miúdas, Eloí escreve que o livro é “um feixe poético, formado por novos e velhos ramos – verdes, espero”.


Vou imediatamente inventariando. Das páginas de UNI... DUNI... TÉIA (Papa Livro, 1998), saíram também a antiga flauta floreada, agora “Flauta florida”, e o teimoso “Cavalinho da alvorada”. Do livro Ô DE CASA (Grifos, 2000), o poema “Tá pronto, seu lobo?” que empresta o título à nova antologia e a parlenda “Martina” com suas sementes beijadas de sol. “Posso entrar?” e “Segredos” foram originalmente publicados online pelo Jornal de Poesia, de Soares Feitosa. Ao todo, conto sete poemas que alinhavam a escrita constante de Eloí Elisabet Bocheco, cuja obra poética inspirada nas tradições orais incluem A DE AMOR, A DE ABC (1999), o premiado BATATA COZIDA, MINGAU DE CARÁ no I Concurso Literatura para Todos, do Ministério da Educação (2005), POMAR DE BRINQUEDOS (2009) e CANTORIAS DE JARDIM (2012), recentemente comentado, até chegarmos ao ano de 2014 – e já parece que temos mais dois, três livros de Eloí com poesia para crianças.


Considerando cada livro como um projeto que ladrilha o caminho da autora, o brilho de TÁ PRONTO, SEU LOBO? e outros poemas, perpassa inicialmente os brinquedos encenados através da palavra falada – como as parlendas com perguntas e respostas, os contratos de escolha que se apresentam em meio às cantigas de roda. Deste modo, as perguntas tornam-se chaves grandes, chaves mestras e fundamentais para estabelecer um contato afetivo entre as crianças, nas situações de texto-vida, entre a voz lírica e seus leitores, nas situações de leitura. 


O poema que abre a antologia nos indaga, por três vezes – Posso entrar no seu reino, meu rei? E nossa memória intertextual, do leitor mais novo ao leitor mais velho, pode propor inúmeras respostas, cadenciadas e próximas das possibilidades que Eloí Elisabet oferece... O jogo do faz de conta vem nos levar para o lugar distante dos contos de fadas, para o reino das adivinhas e das tarefas cheias de ardis, do caminho que se inventa com três obstáculos etc. A primeira resposta tirada pelo poema é – 

"Só se ocupar todas
as pausas, reinando
sobre as palavras."

Leitura e reinações aí se equivalem; gramaticalidade e brinquedo, pausas são reticências de coisas que nunca terminam ou parada para o outro continuar? O lobo, cantado antes de começar a brincadeira de pega-pega, no jogo do livro, é um lobo azul de gravata e chapéu de Fernando Pessoa, vaidoso, alguém quase a perder a hora para a festa no céu que começou faz séculos...


A criação poética de Eloí Elisabet Bocheco vem das tradições orais, das raízes da fala até o ouvido, mas vai também às páginas da literatura infantil e universal. Nenhum escritor, nenhum poeta pode alegar, perante seus leitores, ignorância da existência dos livros. A isso se diz consciência de metalinguagem, porque os textos novos sabem ler os textos antigos. E então, qual a melhor marca da literatura para crianças? Jogar com os segredos, com a transparência da leitura!


Dos poemas novos – ao todo, catorze – “O que é que eu faço?” – que Suryara ilustrou com olhos de sonho, cinza, jeans rosa pespontado, amarelo e cabelo no gramado – é uma canção límpida e preguiçosa ao sol da tarde. Assim termina:
"Um arco
de neblina
para o cabelo
da menina."

Depois das brincadeiras, poesia é devaneio. Eis a segunda marca desta antologia e encontraremos Eloí envolvida com descrições da natureza em quadros coloridos e canoros, festejando peixes, lagartos, fios prateados, renda, efeitos, infância, meses do ano, como se tudo pertencesse, de forma ininterrupta, ao mesmo céu. A riqueza de seus poemas está bem menos nas coisas do pensamento e reside, sem categorias, no toque sensível dos olhos e das mãos. Não leio, nem ouço símbolos. Pego extravagâncias, como um lago que se muda de lugar, pirilampo que esconde queijo no mato, uma sombrinha feita de flores, gato que engole letra sem mastigar – tudo isso e outras coisas mais – como coisas mais reais, objetos do conhecimento que a imaginação verbal pode manipular. E isso, esse processo, transmite uma sensação de alegria e leveza. Por isso, aqui temos poesia para crianças.


Eloí Elisabet Bocheco toma algo de José Paulo Paes, Elias José e Sérgio Capparelli, hoje parece mais liberta de Cecília Meireles ou Vinícius de Moraes, como li nos seus primeiros livros. Assim, com outra chave, entendo, quando minha amiga escreve avisando o feixe que abraça novos e velhos ramos – verdes, espero, ela disse – o significado que sua obra possui. As sementes começaram a brotar faz tempo e cresceram. Cresceram, verdejaram, deram perfume, grãos e frutos: velhos versos que ainda podem ser colhidos com frescor por alguém que não conheça este ou aquele poema, versos novos ainda verdes semeando esperança. 
“Se a poesia bater à porta,
abra como a um amigo.
Poesia é luz,
alimento e abrigo.”

Publicado no site Dobras da leitura no endereço eletrônico: