
Um dos lugares que eu gostava de frequentar, na infância,
era a horta de minha mãe. Ainda tenho, desenhados na memória, os canteiros onde
ficavam as alfaces, ervilhas, couves, repolhos, rabanetes, cenouras,
beterrabas, tomates. Encantavam-me os aromas, as cores, o brilho, as texturas e
os tons de verde das ramagens. Imaginava que os tubérculos conversavam entre
si, debaixo da terra. Perguntava o que sentiriam as sementes dos tomates e
abóboras trancadas “ em casa”. Quando cortavam os tomates para as saladas,
sentia que era uma libertação para as sementes. Enfim, “saíam de casa”. O livro
Cantorias de Quintal foi inspirado nessa agradável memória da beleza, graça e
sabores de legumes e vegetais. Surgiu, então, um cesto poético de frutos da
terra composto, verso a verso, em sintonia com a imaginação, a brincadeira, o
olhar lúdico, a invenção - CANTORIAS DE QUINTAL.
Ilustrações de Rafa Anton
Projeto gráfico de Martina Schreiner
Coordenação editorial de Pablo Moreno
Editora Physalis
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