domingo, 9 de fevereiro de 2014

Livros à mesa

Início de ano na Escola de Educação Básica Josefina Caldeira de Andrade, em Videira/SC








sábado, 11 de janeiro de 2014

Afeto, aventura e amizade



Rua Âmbar no Diário Catarinense de 11/01/2014
Breve ensaio do professor Fabiano Tadeu Grazioli ( URI) 

   
                    


Afeto, aventura e amizade na Literatura Infantojuvenil catarinense

Fabiano Tadeu Grazioli[1]

Rua Âmbar (Formato, 2013) é a publicação infantojuvenil mais recente da escritora catarinense Eloí Bocheco. Na trilha dos últimos Casa de Consertos (Melhoramentos, 2012), Tua mão na minha (Habilis, 2012) e Cantorias de Jardim (Paulinas, 2012), o livro é bem cuidado, com ilustrações primorosas de Márcia Cardeal e um projeto gráfico adequado.

A história é dividida em treze capítulos, numerados e não titulados e se desenvolve em Mariscal, praia catarinense. Eloí recolhe elementos do dia-a-dia do lugar (ruas da referida praia,  detalhes da vida dos pescadores, dos moradores, dos veranistas) e os utiliza como peças importantes no esquema narrativo que monta.
Miro, ou melhor, Valdomiro Silveira, o protagonista da história é um menino que vive a infância com intensidade.  Quando se apresenta aos amigos veranistas diz que “o pai é Leopoldo e trabalha na pesca, a mãe é Inês e vende peixes, que mora na rua Ametista, estuda no terceiro ano, adora a rua Âmbar e faz miniaturas de latinhas” (p. 34).
Mas o que significa viver a infância com intensidade, no caso de um menino filho de família simples, e quase sem amigos? Significa ter tempo e espaço para brincar. Os pais de Miro têm noção da importância que o brincar criativo tem na vida do menino. Isso fica evidente em vários episódios da história, mas, em especial, no capítulo quatro, quando Miro abandona o trabalho de limpar peixes e sai, a mando do pai para brincar: “Em geral o pai lhe dá uma tainha e uma anchova para limpar, às vezes, dois ou três peixes pequenos. Em seguida diz que já pode ir brincar” (p.9); e quando a mãe compara o brincar ao trabalho das abelhas: “- Olhe ali as abelhas no canteiro de cravinas, colhendo néctar. Criança brincando é abelha colhendo néctar. Brincadeira é néctar armazenado na alma”(p.9). Os pais de Miro, ao compreenderem a importância do brincar na vida do filho oferecem ao menino o ambiente facilitador para a brincadeira. Proporcionar tal ambiente é, para Marina Marcondes Machado (2004), função dos adultos em relação às crianças.

O espaço que o menino possui para brincar é a própria Mariscal, com suas ruas, casas, árvores, areia e mar. O personagem transita livremente pelos vários lugares da praia. Leopoldo e Inês compreendem que “uma criança livre, feliz, brinca quando come, sonha, quando faz seus pequenos discursos poéticos” (MACHADO, 2004, p. 19).
Quem acompanha a narrativa de Eloí percebe que brincar é produzir, fabricar, criar, e que essas experiências tornam lúdico o olhar de Miro para o mundo. É a partir deste olhar que o menino filtra a vida que lhe cerca.

Já no início da história, o leitor é informado que Miro possui uma habilidade interessante: fabrica miniaturas de objetos com latinhas de refrigerante. A “fábrica”, como são chamadas as duas caixas de madeira onde guarda seus materiais fica “localizada em um endereço de acesso restrito. E mais, Miro dorme em cima da fábrica. Ou melhor dizendo, ele dorme e acorda em cima dela, por que ela fica debaixo da cama dele” (p. 5). A imaginação de Miro somada à força do maravilhoso na história, resulta em cenas nas quais, curiosamente, os objetos guardados embaixo da cama conversam.

Catar e saborear pitangas pretas é uma das atividades preferidas do menino. Mas sabe que deve se apropriar somente das que ficam do lado de fora dos muros das casas. Ensinamento do pai Leopoldo, por quem Miro tem carinho e afeto especial.  Miro admira o pai pescador, ao mesmo tempo que lamenta a vida sofrida que ele leva:

“-Por que não larga a vida no mar e vai fazer outra coisa, pai?
- Sou um homem do mar. Devo ter sido peixe em outra vida.
(...)
- Você nunca passeia, nunca se diverte, pai.
- Minha diversão é por meu barco no mar.
- Mas por causa do sol e da água salgada seu rosto está todo franzido.
- Filhos do mar, feito eu, ficam assim mesmo, Miro (p. 12).

O protagonista não deseja ser pescador como o pai. Mas possui “alma de peixe”, como ele, e por isso projeta para si uma profissão parecida:

 “- Quero trabalhar no mar, mas não como pescador. Quero ser um pesquisador, um estudioso de tudo o que existe no fundo do mar.
- Gostei dessa ideia.
- Aí eu também serei um homem do mar feito você” (p. 12).
              
A estima pelas profissões do mar é a manifestação do desejo de Miro em ser como o pai. Não quer ser pescador, mas alguém instruído, “um homem do mar com diploma”, como brinca Leopoldo. A paixão pelo mar uniria assim, pai e filho.

É na Rua Âmbar que grande parte da história acontece. Os melhores pés de frutas estão na Âmbar. A casa do poço, a mais misteriosa da região, também. Trata-se de uma casa abandonada, que Miro tentou conhecer três vezes e só na quarta vez teve coragem suficiente para entrar. Em um quarto encontrou uma formiga ruiva falante, que por sinal, já conhecia sua fábrica. No outro quarto encontrou um armário de onde saiu uma cobra azul-turquesa. Conversando com a cobra ficou sabendo que ela tinha nascido gaivota e se transformado em galho de árvore, pedra, chapéu, carta de baralho... No terceiro quarto encontrou uma tainha com lindas escamas reluzentes. Em seu cesto a tainha guardava miniaturas de lata que haviam sumido do quarto de Miro. “Disseram que foram dar uma volta na Rua Âmbar e não acharam mais o caminho de volta” (p. 23), explicou a tainha. Saindo da casa, Miro encontra uma bruxa da Costa Esmeralda que veio buscar água do poço para seus trabalhos de magia.

A narrativa de Eloí lembra o mestre Lobato, já que a autora anula as fronteiras entre a vida real, conhecida de perto pelo leitor, e o espaço do maravilhoso, que é próprio da Literatura para crianças.  Sobre essa ocorrência em Lobato, Nelly Novas Coelho afirma: “Suas histórias não decorrem em nenhum reino maravilhoso, fora do tempo e espaço históricos (...). Pelo contrário, todas as situações que estruturam as efabulações de cada livro radicam-se no mundo cotidiano, familiar ao dia-a-dia da meninada” (2006, p. 642). Neste ambiente conhecido e comum, “surge, de repente, um elemento estranho, pertencente ao reino do imaginário, do sonho ou da fantasia. Mas devido à naturalidade com que esse elemento estranho passa a integrar o natural, ambos se igualam ou se identificam como possibilidade de existência (2006, p. 642).
Em Rua Âmbar, Eloí se utiliza do mesmo recurso.  As miniaturas de latinha e demais objetos que conversam entre si; a formiga-ruiva e a tainha de lindas escamas, ambas falantes; a cobra azul turquesa que se transforma no que quiser; a bruxa da Costa Esmeralda, entre outros elementos, são próprios da fantasia, surgem naturalmente na história e se somam aos eventos cotidianos vivenciados por Miro, promovendo a fusão entre mundo real e imaginário.

É na Rua Ambar que Miro conhece os únicos amigos com quem ele vai se relacionar na história: Matita, Quim e Isa. São veranistas, moram em Jundiaí/SP e o pai deles comprou a casa 109. Os quatro vivem aventuras ciceroneados por Miro, que lhes apresenta a rua e  a casa do poço.

A notícia da morte de seu Leopoldo pegou todos de surpresa. “O barco bateu nas pedras e afundou. Ninguém escapou” (p. 46). Miro sofre muito com a partida do pai. E agora, como iria ser? E quando os peixes da peixaria acabassem, o que a mãe faria? ‘’Se ela dizia que ia dar um jeito, então é porque ia mesmo. Ela era uma mulher de confiança” (p. 48).

No último dia do veraneio de seus amigos, Miro é convidado por eles para plantar um pé de ingá no pátio da casa 109. A árvore era uma homenagem a Seu Leopoldo. Miro imagina que o pai ia gostar da homenagem. Ele se deu conta de que, curtido de sol e da água salgada do mar, o pai fora se tornando parecido com um tronco de árvore. No dia seguinte, após o café, o protagonista vai até a casa dos amigos para se despedir. Presenteou-os com um barquinho, um jarro de lata e uma estrela do mar. Voltariam no próximo janeiro, e isso deixava Miro feliz.

Na obra em questão, conhecemos uma Eloí diferente daquela que diversas vezes já encontramos, cuja matéria prima para a criação literária são as memórias da infância. Em Rua Âmbar, Eloí se mostra capaz de mergulhar na infância dos meninos da atualidade e de utilizar elementos que não lhe cercaram na sua época de criança, como a praia, o mundo dos pescadores e a vida dos veranistas. Mas não deixa de emprestar a Miro o olho da menina curiosa e atenta que imagino que ela foi e que ainda é. Aos olhos de Miro, nada passa despercebido na Rua Âmbar, qualquer novidade é notada, por mais miúda que seja.

O texto da obra é fluente e com linguagem acessível a partir do Leitor em Processo. Leitura envolvente. Desejo que muitos leitores encontrem com Miro e passeiem pela Rua Âmbar. Nas escolas, nas bibliotecas, nas rodas de leitura, nas sessões de leitura literária nas escolas, enfim, onde estiverem leitores curiosos e sensíveis, ali Rua Âmbar pode figurar com majestade.  

Referências
MACHADO, Marina Marcondes. A poética do brincar. São Paulo: Loyola, 2004.
COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil/juvenil brasileira. São Paulo: Editora Nacional, 2006.


[1] Mestre em Estudos Literários. Professor de Literatura Infantojuvenil da Faculdade Anglicana de Erechim/RS.



sábado, 4 de janeiro de 2014

Memórias, Lembranças e Afetos



Resenha

(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)


Nós não somos os criadores de nossas ideias, mas apenas seus porta-vozes; são elas que nos dão forma... e cada um de nós carrega a tocha que no fim do caminho outro levará.    (Carl Gustav Jung. Memórias, Sonhos, Reflexôes)

 Na Introdução do livro “Memórias, Sonhos, Reflexões”, uma autobiografia de Carl Gustav Jung, Aniella Jaffé afirma que depois de um período de inquietação interior, Jung sentiu que emergiram imagens de sua infância há muito submersas e resolvera escrever sobre esse  período da sua vida. A princípio mostrou-se “reservado e reticente”, depois começou a falar com interesse sobre si próprio, sua formação, seus sonhos e pensamentos. E o livro abrangeu não apenas a infância, mas outras fases de sua vida.
Na literatura infantil, encontramos muitos autores que escrevem sobre a infância e se utilizam de artifícios que procuram esconder o caráter autobiográfico do livro. Dentro desse universo, citamos Marcus Accioly e o livro “Guriatã: um cordel para menino”. Somente descobrimos que é um relato da sua própria infância quando lemos as Notas que aparecem após o longo poema. .

De Eloí Bocheco, recebemos “Tua mão na minha” (Ed. Habilis, 2012), com ilustrações de Walter Moreira Santos. A autora afirma que esta história foi “brotada dos desvãos da memória afetiva e das mais caras lembranças de minha infância no campo.”

A menina Dúnia é a protagonista da história, todos os dias vai buscar água no poço. Ela mora distante e é necessário fazer pausas para descansar, o balde é muito pesado.  No caminho entra na casa da avó, dá-lhe um beijo e um abraço e volta logo, ela tem pressa. Essa caminhada do poço até a casa da mãe é motivo para devaneios – ela brinca com a água, traz pedrinhas do fundo do poço e peixinhos dourados nadam na água do balde.   
Há certos serviços domésticos que Dúnia não gosta de fazer – varrer o terreiro, lavar a louça do café. Nessas ocasiões, esconde-se numa pitangueira. De buscar água, ela gosta. O caminho é tão bonito! Pra lá da ponte fica a mata e mata tem seus encantos – lá mora o Boitatá, a Moça-da-lua, o Pé-de pedra e outros seres encantados. 

Um dia a menina não veio buscar água no poço, passaram-se muitos dias, nasceram dias bonitos, de muito sol e brisa suave e nada da menina aparecer. O tempo mudou, chegou o verão, o inverno.  Certo dia Dúnia apareceu, vinha triste e sem o balde. Sentou-se em uma pedra e ficou quietinha, um bem-te-vi cantou e ela não ouviu, deitou-se na grama e deixou-se ficar com os olhos fixos no céu. Lembrou-se da mãe. Onde estaria?

A avó explicou que o trabalho da mãe agora era cuidar das aves celestes. Como a menina desejou ter asas para voar, ir até o céu e encontrar com sua mãe! A avó ainda dizia que a mãe se tornou eterna, não podia mais voltar. A menina também queria virar eterna.
Para entender melhor a história da menina Dúnia, vamos transcrever o que disse a autora na orelha do livro:

“A história de Dúnia surgiu da lembrança dos rituais de carregar água das fontes para as moradias, no campo, no século passado. As crianças faziam da “estrada da fonte” 
um caminho mágico, de brincadeiras e encantamentos. Nas pausas para descanso, a imaginação tomava conta de tudo e era possível viajar para longe nas águas do “rio de balde”, ou inventar inusitados brinquedos com os vultos da paisagem, enfeitiçados pela fantasia.”.

 Em “Guriatã: um cordel para menino”, o personagem Leunam morre e se transforma em passarinho; em “Tua mão na minha”, a mãe de Dúnia morre e vai cuidar das aves celestes.
O pássaro, com seu voo, seu desaparecer repentino, sua vida efêmera, sua plumagem e seu canto associa-se muitos vezes à morte. Vale lembrar versos do poema de Manuel Bandeira, “Preparação para a morte”: 
                  Cada pássaro,
                 Com sua plumagem, seu voo, seu canto,
                 Cada pássaro é um milagre.                     

            Com relação às ilustrações deste livro, Walter Moreira Santos, assim se expressou:
    “Há 11 anos escrevo e ilustro para crianças, mas sabe de uma coisa? Quando li esta história mágica de Eloí Bocheco, fiquei tão encantado que tive receio de ilustrá-la, temendo que talvez minhas imagens não ficassem à altura do texto”. 

            Dividido em pequenos capítulos não numerados, este livro de Eloí Bocheco se inscreve no reino da prosa poética. Cada parágrafo é um convite à poesia.


Carinhos poéticos:








Onde encontrar Tua Mão na Minha:



amalivros@hotmail.com - Fones: (051 3557 4125) (051 9954 1950) (051 9952 6320) Rua Leopoldo Froés n. 109 - Bairro Floresta - Porto Alegre - RS



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Uma escola onde circula poesia....




Fotos que me enviou a Escola Josefina Caldeira de Andrade, de Videira/SC. Leitura do livro Cantorias de Jardim - interações com o poema Onde Está a Margarida? (P. 9)
Professora: Lenecir Piovesan Hoffelder
 
 
 
A passagem do poema para o papel pardo é um modo delicado de trazer o poema para perto do coração poético. Na sequência, as quadrinhas criadas pelas crianças.
 
 
 
 
Recriação em outra linguagem - poesia-brinquedo
 
 
 Declamando o poema em grupo... vozes e afetos.

 
 
O poema no quadro de giz...  Mais um exercício de trazer o poema para perto  do coração poético. A mão da professora transcreve  o poema, toca as palavras - momento de vida feita à mão.... Amei!

 


Poema brincado, poema recriado! Com humor e muita graça!





 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Se esta rua, se esta rua fosse minha....


 
RUA ÂMBAR  no Jornal NOTÍCIAS DO DIA - matéria assinada pela jornalista Edinara Kley de Florianópolis/SC.
Para formular a matéria, a jornalista me enviou uma pequena entrevista, que transcrevo abaixo. Ela contou que leu o livro com seu filho de 9 anos e os dois curtiram muito o passeio pela Âmbar. Adorei saber que meu livro caiu nas mãos de uma jornalista,  grande leitora,  e mãe-leitora.
 

 Edinara - De onde e quando surgiu a inspiração para a história do Miro e suas criações?

Eloí -  Certa vez, vi uma matéria na tv  sobre um menino que fazia miniaturas de latinhas recicláveis. O menino era encantador e suas criações eram perfeitas. Nunca mais esqueci a cena do garoto  fabricando  minúsculos objetos, todos irretocáveis. De um certo modo, Miro – Valdomiro Silveira – personagem de Rua Âmbar, surgiu dessa lembrança que ficou gravada na memória. Inventar o personagem foi o primeiro passo.  Depois,  Miro  toma posse da história e puxa o carro da fantasia, dando voz lírica  às miniaturas que inventa, ou explorando os recantos mágicos de sua rua de infância.

Edinara - Rua Âmbar tem uma mistura de vários elementos que encantam crianças (e adultos): miniaturas, mar, casas mal assombradas, bichos falantes, perda... Foi proposital essa junção?

Eloí - Não foi planejado, mas acabou acontecendo de se juntarem no mesmo movimento coisas que me encantam, como miniaturas de objetos, casas mal assombradas, bichos que falam nas histórias, ruas da infância,  o mar da costa esmeralda de SC.  A dor da perda é um sentimento que me toca muito. É um tema tão humano e inevitável. Em Rua Âmbar e em outros livros que escrevi ( Tua Mão na Minha, Beatriz em Trânsito, Casa de Consertos) acontecem perdas e os personagens têm que lidar com elas como podem. No caso de Miro, a fantasia  o auxilia na acomodação da dor para a vida brotar de novo e prosseguir, apesar do sofrimento causado pela perda do pai.

Edinara - Apesar de se tratar de uma ficção, você usou uma localidade real de Santa Catarina. Há algum motivo em especial, além do fato de estar na cidade onde mora?

Eloí - Escolhi como cenário  a praia de Mariscal porque é um lugar mágico, que me encanta há mais de trinta anos. Achei que seria um lugar muito apropriado para o menino  Miro morar e cultivar sua arte, seus amigos, suas fantasias e brincadeiras.

Edinara - A Rua Âmbar existe mesmo em Mariscal? Se existe, é da forma descrita no livro?


 A Rua Âmbar existe, sim, mas não da forma descrita no livro. É uma rua do mundo real, mas,  reeencantada, digamos assim. Passada pelo sonho, pela imaginação e apresentada em “outro estado” -  não mais  no “estado” de todos os dias.

Donde se conclui que, doravante, a Rua Âmbar, em Mariscal, tem duas vidas: uma real e outra de sonho. “O que é de verdade, para ter graça, tem de ser sonhado” – dissera a Miro a moça da casa creme, P.6

Edinara - Como surgiu a parceria com a ilustradora Márcia Cardeal? Já haviam trabalhado juntas antes?

Eloí - Há muito tempo eu acalentava o sonho de fazer um trabalho com Márcia Cardeal e a oportunidade chegou quando a editora Saraiva/Formato me  pediu a indicação de um ilustrador de Santa Catarina para ilustrar Rua Âmbar. Indiquei vivamente o nome de  Marcia Cardeal e, para minha alegria,  a indicação foi aceita.
Márcia veio em minha casa ( uma honra enorme) para conversarmos sobre as ilustrações  e fomos a Mariscal fotografar o cenário da obra. Uma visita emocionante, mágica e inesquecível, que marcou para sempre a história deste livro.
A  parceria com Márcia Cardeal foi maravilhosa  e o resultado   pode ser conferido “passeando” pela Rua Âmbar ( a de sonho).
 
Edinara - Em seus trabalhos anteriores a Bruxinha Elisa foi a grande estrela das histórias, em Rua Âmbar, embora de forma mais rápida também aparece uma bruxa. Há alguma relação entre elas? Ou entre você e esse personagem?

São bruxas em contextos diferentes.  Ambas no pleno exercício de suas  bruxidades. A bruxinha Elisa é uma bruxa-menina, bruxa-criança, moradora da mata funda.  A bruxa da costa esmeralda é uma bruxa do mar – diferente, em alguns pontos, das bruxas ditas “normais” ou tradicionais. É uma bruxa “misturada” – com o bem e o mal tramando nas entranhas. Sua passagem pela Âmbar é rápida, contudo, ajudou a compor o movimento na casa assombrada e deixou Miro bastante impressionado, por já tê-la visto num livro antigo sobre bruxas da costa esmeralda.
 
 

 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Uma história de pertencimento e memória

 
 
Miro – Valdomiro Silveira –  é dono de uma "fábrica" de miniaturas, feitas com latinhas recicláveis. A fábrica toda cabe em duas caixas, que o menino guarda embaixo da cama. Inventar as miniaturas,  a partir das latinhas, é uma grande felicidade para Miro. Ele é  capaz de passar horas trabalhando nas peças para deixá-las irretocáveis.
Num segundo movimento de criação, ele  promove o  encantamento das miniaturas. Com o sopro da imaginação, anima os objetos criados e lhes imprime vida própria. De posse dessa vida poética, as  miniaturas conversam e tramam histórias sobre si mesmas e sobre seu criador.
Há um bule que já morou no fundo do mar, um jarro que vivia bordado em uma cortina, uma concha que foi um  pensamento do Miro que caiu no mar e virou concha, uma mala que pertenceu a um colecionador de sombras, a um pesquisador de suspiros de jardim,  a um capturador e assoprador de palavras, dentre outros donos ( a mala só não carregou roupas).
Quando Miro enfrenta a perda do pai, em um naufrágio no alto-mar, as miniaturas participam como coadjuvantes simbólicas na elaboração do sofrimento e da saudade do menino.
As conversas entre as miniaturas sempre são interrompidas pelo grito da realidade que  vem por meio da mãe, chamando-o para as lidas do cotidiano : “Mirooooo, desça, o café tá na mesa!” “Miroooo, venha ajudar seu pai”... Miroooo, fiz queijadinha...” Mirooooo, teus amigos estão aqui!”...

As miniaturas são apenas uma parte das vivências mágicas do livro. Miro mora na Rua Ametista, porém, a rua preferida dele  é a Âmbar.
A  Âmbar tem as frutas mais doces do bairro, a casa assombrada onde moram a tainha, a cobra que passa a vida se transfomando em “outros” para fazer a experiência da outridade, a formiga que queria cantar como uma cigarra, a rã que queria namorar um cachorro,  e a bruxa da costa esmeralda – uma bruxa diferente e  no exercício pleno de sua bruxidade.  Também ficam na Âmbar  a casa 109, dos amigos Quin, Isa e Matita, e  a casa creme da moça que ajudou Miro a se alfabetizar.

Rua Âmbar é uma história de pertencimento e memória.  Miro poderá se mudar de Mariscal, um dia, mas levará a Âmbar para onde for. Será sempre o chão sagrado que ele vai pisar para sempre, “pois levamos as ruas, as casas, as paisagens de nossa infância para onde quer que  formos”. 
 
 

Onde encontrar:      http://www.livrariasaraiva.com.br/


Blog do livro RUA ÂMBAR:    

http://livroruaambar.blogspot.com.br/


sexta-feira, 26 de julho de 2013

"Roda vida, roda viva, roda pião"...

 


Os músicos Bruno Andrade Fachin e Priscila Schaucoski musicaram o poema UNI...DUNI...TÉIA, que faz parte de meu primeiro livro editado. O poema Uni..Duni..Téia foi escrito em homenagem à minha sobrinha  Araceli ( Téia* para os íntimos) no dia em que ela partiu de sua cidade natal para outra localidade.
Passaram-se quinze anos desde então. Téia cresceu, casou-se e teve dois filhos. Hoje em dia,  lê para os filhos o poema que foi inspirado em um acontecimento de sua infância. Uma escritura que curti muito, uma lembrança que me marcou para sempre.

Para ouvir o poema musicado, siga o link:

https://sites.google.com/site/tudopoetico/system/app/pages/admin/attachments?pli=1




*Téia - com acento


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Memória, Lembranças, afetos


                                
                                                         Resenha


(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

 Nós não somos os criadores de nossas ideias, mas apenas seus porta-vozes; são elas que nos dão forma... e cada um de nós carrega a tocha que no fim do caminho outro levará.    (Carl Gustav Jung. Memórias, Sonhos, Reflexôes)

 Na Introdução do livro “Memórias, Sonhos, Reflexões”, uma autobiografia de Carl Gustav Jung, Aniella Jaffé afirma que depois de um período de inquietação interior, Jung sentiu que emergiram imagens de sua infância há muito submersas e resolvera escrever sobre esse  período da sua vida. A princípio mostrou-se “reservado e reticente”, depois começou a falar com interesse sobre si próprio, sua formação, seus sonhos e pensamentos. E o livro abrangeu não apenas a infância, mas outras fases de sua vida.
Na literatura infantil, encontramos muitos autores que escrevem sobre a infância e se utilizam de artifícios que procuram esconder o caráter autobiográfico do livro. Dentro desse universo, citamos Marcus Accioly e o livro “Guriatã: um cordel para menino”. Somente descobrimos que é um relato da sua própria infância quando lemos as Notas que aparecem após o longo poema. .

De Eloí Bocheco, recebemos “Tua mão na minha” (Ed. Habilis, 2012), com ilustrações de Walter Moreira Santos. A autora afirma que esta história foi “brotada dos desvãos da memória afetiva e das mais caras lembranças de minha infância no campo.”.

A menina Dúnia é a protagonista da história, todos os dias vai buscar água no poço. Ela mora distante e é necessário fazer pausas para descansar, o balde é muito pesado.  No caminho entra na casa da avó, dá-lhe um beijo e um abraço e volta logo, ela tem pressa. Essa caminhada do poço até a casa da mãe é motivo para devaneios – ela brinca com a água, traz pedrinhas do fundo do poço e peixinhos dourados nadam na água do balde.   
Há certos serviços domésticos que Dúnia não gosta de fazer – varrer o terreiro, lavar a louça do café. Nessas ocasiões, esconde-se numa pitangueira. De buscar água, ela gosta. O caminho é tão bonito! Pra lá da ponte fica a mata e mata tem seus encantos – lá mora o Boitatá, a Moça-da-lua, o Pé-de pedra e outros seres encantados. 

Um dia a menina não veio buscar água no poço, passaram-se muitos dias, nasceram dias bonitos, de muito sol e brisa suave e nada da menina aparecer. O tempo mudou, chegou o verão, o inverno.  Certo dia Dúnia apareceu, vinha triste e sem o balde. Sentou-se em uma pedra e ficou quietinha, um bem-te-vi cantou e ela não ouviu, deitou-se na grama e deixou-se ficar com os olhos fixos no céu. Lembrou-se da mãe. Onde estaria?

 A avó explicou que o trabalho da mãe agora era cuidar das aves celestes. Como a menina desejou ter asas para voar, ir até o céu e encontrar com sua mãe! A avó ainda dizia que a mãe se tornou eterna, não podia mais voltar. A menina também queria virar eterna.
Para entender melhor a história da menina Dúnia, vamos transcrever o que disse a autora na orelha do livro:

“A história de Dúnia surgiu da lembrança dos rituais de carregar água das fontes para as moradias, no campo, no século passado. As crianças faziam da “estrada da fonte” um caminho mágico, de brincadeiras e encantamentos. Nas pausas para descanso, a imaginação tomava conta de tudo e era possível viajar para longe nas águas do “rio de balde”, ou inventar inusitados brinquedos com os vultos da paisagem, enfeitiçados pela fantasia.”.

            Em “Guriatã: um cordel para menino”, o personagem Leunam morre e se transforma em passarinho; em “Tua mão na minha”, a mãe de Dúnia morre e vai cuidar das aves celestes.
O pássaro, com seu voo, seu desaparecer repentino, sua vida efêmera, sua plumagem e seu canto associa-se muitos vezes à morte. Vale lembrar versos do poema de Manuel Bandeira, “Preparação para a morte”: 
                  Cada pássaro,
                 Com sua plumagem, seu voo, seu canto,
                 Cada pássaro é um milagre.                     

            Com relação às ilustrações deste livro, Walter Moreira Santos, assim se expressou:
    “Há 11 anos escrevo e ilustro para crianças, mas sabe de uma coisa? Quando li esta história mágica de Eloí Bocheco, fiquei tão encantado que tive receio de ilustrá-la, temendo que talvez minhas imagens não ficassem à altura do texto”. 

            Dividido em pequenos capítulos não numerados, este livro de Eloí Bocheco se inscreve no reino da prosa poética. Cada parágrafo é um convite à poesia.





 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Confrontando a dor da perda - o auxílio da imaginação poética


 
    Em uma antiga brincadeira infantil, a menina Dúnia encontra um modo de elaborar a dor e o desamparo de uma grande perda.  Descobre que podia continuar brincando o jogo infantil que aprendera com a mãe, que partiu. Brincaria pela mão da avó que  transmitira a brincadeira à família. A personagem tira do imaginário o ponto de apoio para continuar caminhando porque a vida e o jogo Tua mão na minha continuam, apesar de tudo.
Uma história sobre o poder de cura das palavras brotadas da imaginação e dos afetos.
 
 
A história de Dúnia  surgiu da  lembrança dos rituais de carregar água das fontes para as moradias, no campo, no século passado. As crianças faziam da “estrada da fonte” um caminho mágico, de brincadeiras e encantamentos. Nas pausas para descanso, a imaginação tomava conta de tudo e era possível viajar para longe nas águas  do “rio de balde,” ou inventar inusitados brinquedos com os vultos da paisagem,  enfeitiçados pela fantasia.

Em dias de grandes sofrimentos e perdas, a “estrada da fonte” transformava-se num refúgio poético ao relento, e  auxiliava no espairecimento e na  acomodação da dor para que a vida pudesse prosseguir e brotar outra vez, como brotava a mina d´água.


BOCHECO, Eloí. Tua mão na minha. Erechim: Habilis, 2013 

Onde encontrar o livro:

http://www.habiliseditora.com.br/

Habilis Editora Ltda
Emílio Grando 187/401 - Centro
99700-000 Erechim RS
Fone/Fax - 54 35225856



sexta-feira, 8 de março de 2013

Entrevista com Sônia Zanchetta


 
Por Jacira Fagundes
Coordenação conjunta com Christian David
AEILIJ –  Regional RS
Publicada no Boletim da AEILIJ, na edição de novembro de 2011


                             Uma entrevista que vale a pena conferir!



Jornalista formada pela PUC/RS e produtora cultural,  Sônia Zanchetta integra a comissão executiva da Feira do livro de Porto Alegre desde 1997. Coordena a área Infantil e Juvenil e o ciclo  A Hora do Educador do evento, além da área internacional. Sua equipe se ocupa, ainda, dos programas  Adote um Escritor ( parceria SMED Porto Alegre), Lendo pra Valer ( parceria Secretaria de Estado da Educação) e Fome de Ler ( parceria cursos de Letras ULBRA  Guaíba e Canoas, prefeituras de Canoas e de doze municípios da Região Centro-Sul do Estado e Rede ULBRA de Escolas).
 

AEILIJ – Sônia, fale um pouco sobre esta paixão que te impulsiona para toda uma dedicação e empenho nas ações voltadas à literatura infantil e infantojuvenil  no Estado.
Sônia Zanchetta -  Minha paixão pela leitura e pela literatura começou cedo, antes mesmo de eu ir à escola, pois tive a sorte de vir ao mundo em uma família que dava valor aos livros.
Minha mãe havia guardado, “para quando tivesse filhos”, duas preciosidades: a coleção completa de Monteiro Lobato  e os 18 volumes do Thesouro da Juventude. Apesar da ortografia ultrapassada, li e reli inúmeras vezes todas as histórias daqueles livros. E isso não me dificultou em nada a aprendizagem da Língua Portuguesa; ao contrário, fez com que passasse a amar a leitura e a escrita. Por isto, não consigo aceitar que livros sejam triturados ou doados para reciclagem cada vez que há uma reforma ortográfica.
Meu pai, que havia frequentado a escola por apenas três anos, redescobriu o prazer da leitura junto conosco, quando começou a febre das enciclopédias. Passava horas mergulhado naqueles livros e, de vez em quando, levantava os olhos e nos chamava para contar algo interessante que acabara de descobrir. Ali estava a prova de que uma pessoa que sai da escola plenamente alfabetizada pode seguir aprendendo por conta própria até o fim de seus dias.


AEILIJ – Tens encontrado, com certeza, alguns desafios no desenvolvimento de projetos que visam incrementar a leitura entre crianças e jovens. Dentre eles, qual o maior desafio?
SZ – Creio que o maior desafio está,  justamente em se promover a valorização da leitura no imaginário coletivo. Quando a família, a escola, o poder público e a sociedade como um todo entendem a importância da leitura, a coisas começam a andar.
Através do meu trabalho na Câmara Rio-Grandense do livro, tenho acompanhado vários programas e projetos de leitura desenvolvidos no Estado. Não conheço nenhum caso em que o começo tenha sido fácil. Em termos gerais, é preciso muita persistência e uma grande capacidade de persuasão para fazer um gestor público destinar verbas em volume suficiente para esta área.
Menos mal que esta situação começa a se reverter em vários municípios gaúchos, que construíram políticas públicas claras e consistentes para o livro e a leitura, tornando-se referência em nível nacional.


AEILIJ – E na Feira do Livro de Porto Alegre que acontece a cada ano, na área infantil, podes citar as questões mais desafiadoras?
SZ – Um dos maiores desafios que a equipe da Área Infantil e Juvenil enfrenta é o de sensibilizar para que a Feira seja compreendida como o ponto culminante, mas não final, de um processo sério e contínuo de formação e qualificação de leitores. Ao agendarem suas turmas para encontros com escritores e ilustradores de LIJ, os professores assumem o compromisso de promover a leitura prévia de ao menos uma obra de sua autoria por todos os alunos e por todos os adultos que os acompanharão na visita à Feira.
A feira é a grande festa do livro. Além de participarem das atividades oferecidas pela programação, as escolas encontram, ali, espaço para mostrar o trabalho desenvolvido, ao longo do ano, nas áreas da leitura e da escrita. Para acolher esta produção, foram criados o teatro Território das Escolas; o Largo da Escrita, onde ocorrem sessões de autógrafos, e a Vitrina da leitura, que dá visibilidade a projetos que se destacam por sua consistência, constância e caráter inovador. Há escolas que levam à Feira centenas de membros da comunidade escolar, o que é fundamental para reforçar a importância da leitura no contexto familiar. Mas é preciso, também, qualificar os professores como leitores e mediadores da leitura.  Com este objetivo, a CRL realiza ou apoia a realização, ao longo do ano, de vários encontros que têm sua culminância na Feira, com o ciclo A Hora do Educador. Este ano ( 2011) estão previstos nove seminários, além de várias oficinas e palestras independentes.


AEILIJ – Consideras que as novas tecnologias ajudam ou afastam os pequenos e os jovens da leitura? Onde, na tua opinião, é possível a leitura se coadunar às novas tecnologias ou, se for o caso, prevenir o afastamento?
SZ – Embora o livro de papel continue sendo o único suporte de leitura em boa parte das escolas brasileiras e tudo indique que terá uma longa vida, é essencial que os professores se preparem para tirar proveito das novas tecnologias, que tanta curiosidade despertam entre seus alunos.
Não basta equipar as escolas com laboratórios de informática, telecentros ou salas de aula do futuro. É preciso romper a resistência de muitos professores com relação a seu uso, fazendo com que se conectem ao tempo de seus alunos. Só assim poderão fazer a mediação necessária para que seus alunos se tornem aptos não só a consumir, mas também a criticar e a produzir conteúdos digitais.


AEILIJ – Vimos acompanhando expressivo aumento do número de obras direcionadas à infância e juventude no âmbito da literatura gaúcha. Até onde tal fato é promissor e significativo de qualidade?
SZ – A LIJ  produzida no RS deu um salto de qualidade incontestável nos últimos tempos. Autores gaúchos de LIJ circulam com desenvoltura nos grandes eventos literários do país; tem obras selecionadas pelo PNBE e por outros programas de aquisição; conquistam prêmios importantes, espaços na mídia especializada e nas estantes das megalivrarias.
Há algum tempo, podemos observar na Área Infantil e Juvenil da Feira do Livro de Porto Alegre a atuação de “olheiros” de editoras do centro do país, que vem conhecer de perto os nossos autores.
Mas é essencial que as escolas adotem critérios claros para a aquisição de acervo e adoção de obras a serem lidas por seus alunos, pois,  nestes tempos em que é tão fácil publicar um livro, abundam também os textos de baixa ou nenhuma qualidade literária.
AEILIJ – Neste momento profícuo para a literatura infantil e infanto-juvenil, vês visibilidade para os novos – tanto escritores como ilustradores?
SZ – Aqui no Sul há poucas editoras que apostam na publicação de LIJ com recursos próprios, o que dificulta  a entrada de novos autores no mercado e, no caso das obras publicadas de forma independente, mesmo que seja incontestável sua qualidade, a distribuição costuma ser bastante difícil. No entanto, temos o exemplo de autores que surgiram através de concursos literários ou que construíram sua reputação literária na internet e, só depois de terem conquistado uma legião de leitores, foram em busca de uma editora ou publicaram um livro de forma independente. Oficinas literárias ministradas por grandes escritores, como Luiz Antônio de Assis Brasil e Charles Kiefer, entre outros, também têm contribuído de forma decisiva para o surgimento e a qualificação de autores no RS. Atualmente contamos com excelentes ilustradores no RS, mas, também no seu caso, o começo não é fácil, sobretudo pela escassez de editoras especializadas em LIJ.


AEILIJ – Ainda, no que se refere à obra literária de qualidade, como vês a atual profissionalização de escritores e ilustradores? A AEILIJ pode auxiliar na profissionalização destes autores de texto e ilustração? De que maneira?
SZ – A AEILIJ vem colaborando para a profissionalização de escritores e ilustradores associados ou não, através da promoção de debates e reflexões sobre a questão da produção e da leitura de LIJ. É o caso do seminário POR UM ESPAÇO ESPECIAL PARA A LITERATURA NA ESCOLA, que terá sua terceira edição de 8 a 10 de novembro, na 57ª Feira do livro de Porto Alegre.
Mas,  no RS, e provavelmente em vários outros estados, seria importante que a entidade pudesse promover, também, oficinas de criação, ministradas por ilustradores ou escritores de renome, visando a profissionalização  de novos autores.